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  Porão do Rock 2005 - Release

Mais um ano de Porão do Rock, mais um ano provando que Brasília ainda é palco de grandes bandas independentes. Este ano, foi marcado pela grandiosidade do evento, com várias atrações e com uma diversividade de estilos. Diferente também na tenda tecnho, alias, no primeiro dia não teve tenda tecnho, foi criado a tenda do Rock, onde foram chamados vários Dj de rock alternativo para compor essa novidade. Dj's Zeca e Ed (aqui do Site Festas em Brasília), Montana, JVC, Balé (Escola de Escândalos), André X (Plebe Rude), Chico Bóia (Transamérica), Sabri e Leandro do Rumbora.

Na Sexta-feira, dia 08/07, foi uma noite dedicada ao Rock'n'roll, guitarras alucinavam o público, O heavy metal da banda Dynahead se encarregou de começar a por “fogo” na noite do Porão do Rock. Foi o primeiro grupo a se apresentar. Foi também a primeira vez que os cinco brasilienses cabeludos tocaram no Porão. Resultado: um som pesado que animou o público ainda pequeno. Na frente do palco, fãs fiéis, que gritavam e batiam cabeça com as canções. A Dynahead apresentou músicas próprias, cantadas em inglês. Além disso, na metade do show, pediu licença ao público para mostrar uma releitura. “Escolhemos a coisa mais universal possível”, disse o vocalista Caio Duarte. As meninas da banda Poena (DF) pegaram pesado no primeiro dia do Porão do Rock. Mais uma vez, provaram que hardcore/metal não é coisa só de marmanjo. E mesmo sem fazer, de propósito, o estilo sex appeal, Carolina Diniz (vocais), Ludmila Gaudad (vocais), Clarissa Carvalho (guitarra), exibiram sensualidade no palco a ponto de provocar a platéia. Ainda no começo do show, ouviram o pedido para que tirassem a roupa. Mas o rock para o Poena é coisa séria, e a brincadeira ficou só na reposta: “Só tiramos se todo mundo tirar”, como sugeriu Carolina, uma das vocalistas. Um show de humor e música. Sem dúvida, a apresentação do Massacration será eleita a mais divertida e engraçada do Porão do Rock. Ninguém poderá competir com os caras do programa Hermes e Renato no quesito besteriol. A irreverência levada ao palco fez os fãs gargalharem e pedirem bis. Música mesmo, eles só tocaram cinco. Mas ao longo do show encenaram para o público uma performance baseada no estereótipo de uma “verdadeira banda de Heavy Metal”. Exageram nas características, satirizaram a maneira de ser dos headbangers, e mesmo assim, não conseguiram despertar rancor; muito pelo contrário. Slug está com o terceiro álbum, intitulado Not For Sale, “saindo do forno”. Este ano, foi um dos vencedores do Festival Som do Cerrado, da Rádio Transamérica FM, mostraram porquê foi a banda escolhida, o show empolgou a galera, mostraram competência de uma grande banda que está surgindo. Deceiveres, o que dizer de uma grande banda que está na estrada desde 1994? A galera do Deceivers apresentou este ano seu segundo CD, Everbreathe (53 HC), lançando dentro do Porão do Rock, e onde a banda reforça o conceito da fusão hardcore e metal, com alguns elementos do hip hop. O show foi o delírio, fazendo a massa ir ao delío, junto com seus fãs. proximidade do poder inspira o tom crítico à política das letras da veterana banda de hardcore de Brasília DFC. Na ativa desde 1993 a banda mostrou em seu show que ainda tem muito a dizer, afinal de contas motivo é o que não falta. Tanto que eles acabam de lançar o CD “O Mal que Vem para Pior”. Além de mostrar um pouco do novo trabalho, a banda cantou as músicas que a consagraram na cena underground ao longo desses 12 anos de estrada, como “Molecada 666” acompanhada em coro pelos fãs, fechando em grande estilo a apresentação. Shaaman, Os ex-integrantes do Angra, André Matos (voz), Luiz Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) não deixaram dúvidas sobre a importância da banda para o heavy metal brasileiro. Ao som da música “Turn Away’, às 11h45, no Palco Capone, o Shaaman invade o Porão do Rock. O carisma de André Matos sacudiu a platéia que respondeu a cada grito e chamado do vocalista. Além dele, o guitarrista Hugo Mariutti foi destaque e dividiu com André a responsabilidade de chamar o coro. Fechando a noite, com chave de ouro, Ratos de Porão, o Rardcore coroava a noite, a galera do Ratos de Porão empurrada por o João Gordo, os Ratos tocaram, dentre outras, Morrer e Beber até Morrer, que o público cantou junto, comprovando que as músicas antigas são as preferidas dos fãs veteranos e dos mais jovens e dos mais velhos também.

No dia 09/07 chegamos um pouco atrasados, da canseira do dia anterior, mas chegamos a tempo do grande show que a banda Valentina de Goiânia apresentou, o quinteto empolgou o público que se aglomerou em frente ao palco. Destaque para o vocalista Rodrigo Feoli, que estava com o rosto fortemente maquiado e com um figurino especial – calça preta justa, camisa escura com detalhes em verde e vermelho e chapéu –, mostrando irreverência. A performance de Feoli agradou a galera. Dançando de forma bem-humorada, o cantor fez o público pular. Ponto G, irreverentes e descontraídos, os brasilienses agradaram a platéia com seu rap´n´roll e botaram a galera para pular durante todo o show. Ponto G ficou muito a vontade no palco – afinal, foi um dos idealizadores do festival -, a banda também atacou o escândalo do mensalão ocorrido no Congresso Nacional. “Cadê meu mensalão, cadê meu mensalão”, dizia uma das músicas. A galera respondeu e cantou em coro o refrão, em forma de protesto. A banda Luxúria levantou a galera neste sábado do Porão do Rock 2005. O show da banda do interior paulista foi marcado pela liderança performática da vocalista Meg. A apresentação teve um contagiante começo com a música Dura feito aço. Tatuada, com cabelo pintado de azul, botas pretas e um curto vestido, Meg esbanjou sensualidade e provocou a galera ao mostrar sua calcinha vermelha. Plebe Rude parecia uma banda experimental, com sua nova formação: Philippe Seabra (guitarras e vocais), André X (baixo e voz), o ex-Maskavo Txotxa (bateria) e o ex-Inocentes Clemente (guitarra). O show no Porão do Rock 2005 fez muita gente se arrepiar. As letras dos anos 80 não perderam a validade e continuam traduzindo a realidade do país. O show começou com “Brasília” e o público cantou junto com as mãos para cima. Em “Minha Renda”, apareceram as primeiras rodas de pogo e “A Ida”, com introdução feita por Philippe no violão, ganhou coro ritmado com palmas. Bandeira do Movimento Sem-Terra (MST) hasteada e o F.UR.T.O sobe ao palco Brazza do Porão do Rock, como uma das bandas headliners. As canções “falam infelizmente de uma situação no Brasil que não mudou”, explica o vocalista Garnizé. Durante o show, Yuka afirma que “estou aqui em uma cadeira de rodas, mas não perco a indignação”. Em entrevista coletiva, Yuka vítima de um assalto que lhe deixou paraplégico, fala por si. “Muitos policiais já me pararam e pediram para eu sair do carro e andar. Quando eu explico que isso não é possível, eles não acreditam”, exemplifica. Tudo isso, segundo ele, é discutido e combatido no Coletivo X, um grupo de artistas dispostos a combater a criminalidade. Do show, foi um dos melhores da noite com muito ritmo e a banda muito a vontade na noite Brasiliense. Após o retorno do Rio Grande do Sul para divulgação do CD lançado em 2002, “Então falou”, a banda Sentupé anuncia sua chegada em grande estilo com um show empolgante nesta 2ª noite de Porão do Rock para matar a saudade. O espirituoso baixista JB deu o pontapé inicial e fez o público aquecer o gargalo com seus riffs de guitarra e na seqüência veio “Drops”. O retorno da platéia foi certeiro. Da primeira a última música, as 25 mil pessoas que compareceram no Porão pulam ao som da banda liderada por Cássio no vocal, Vitor no baixo e Kelder na bateria. Quando a banda toca o hit, música tema do CD “Então falou”, o público agitou ainda mais e lá de longe se ouvia o coral no refrão. A participação especial do convidado Bel, ex- Câmbio Negro e ex-integrante da banda, só veio complementar o que já estava bom. Com público garantido, a headliner baiana Pitty não arriscou e abriu o show com Admirável Chip Novo, principal sucesso de seu primeiro CD, de mesmo nome. A agitação não lembrava nem um pouco a estréia da cantora no festival em 2003, quando era pouco conhecida por aqui. O que se seguiu após a primeira execução foi uma série de hits: Não deixe o tempo passar, Teto de Vidro, Equalize, I wanna be e Semana que vem . As canções foram acompanhadas do início ao fim por um público visivelmente juvenil. Fechando o dia, a banda Dead Fish fez um belo show, o público, antes apático com o frio e canções desconhecidas, se animaram em cada nova batida e cantavam juntos com vocalista Rodrigo. Há mais uma década no meio independente do rock nacional, esta foi a primeira apresentação do grupo no evento de Brasília. “Nós já tentamos tocar aqui no porão várias vezes, mas só agora, em uma grande gravadora, conseguimos”, admite Rodrigo.

Enfim, o dia 10/07, o Porão de Rock guardava tudo para o último dia, depois de várias atrações nos outros dias, era o dia esperado do Barão Vermelho, Pato Fu, Los Hermanos e a volta do Papito para o Porão depois do incidente ocorrido na última edição. Iniciando com o Hino nacional no som da Guitarra de Paulinho Góes, o Radical sem dó realmente não teve dó nem piedade do público, mostrou muito som, muita performance, humor e alegria de quem faz música brincando. O público se divertiu com as letras de Natinho, também empresário do ramo de camisetas em Brasília distribuindo para lojas como Kingdom Comics e Verdurão.Em “Elianny”, o ‘trieto’ e as convidadas Clã Destinas, Fafá e Priscila, mandam o refrão “minha dor é Doriana” numa balada que empolgou o público já no começo da noite. Nos intervalos, o carismático Ginão dava seu recado num ritmo de voz impecável. Entre outras, ele soltou “A lua está sorrindo pra gente” em agradecimento ao público presente e ao belo pôr do sol. “Radical sem dó no comando, porque eu não mando eu peço”, bravou o vocalista. A banda Violins mostrou seu som com muita poesia e muita guitarra, lembrando um pouco os anos 80, Chamados de “Radiohead brasileiros” no primeiro CD “Aurora-Prisma” (2003), a trupe afirma que acha natural comparações e riem ao dizer que agora são chamados de Los Hermanos. A comparação não foi à toa. De acordo com a própria banda, o primeiro disco é “muito triste, estávamos todos f”, conta o guitarrista Léo Alcânfor. Violins é formada ainda por Diego Britto (baixo), Pedro Saddi (teclados) e Pierre Alcânfor (bateria). nome do CD surgiu após a composição de todas as músicas. “Percebi que todas falavam de infidelidade e isso foi involuntário. Infidelidade não só entre homem e mulher, mas de Deus ou algo que se sinta”. A banda Reação e cadeia surpreendeu, com um som muito maneiro, foram aclamado pelo públco, as músicas foram cantadas em coro, principalmente “Quase Amor”. A banda ainda levou “Dead and Bloated”, do Stone Temple Pilots. Finalizando o show, mandaram ver com “Pare de mentir pra mim”. Os mineiros da banda Pato Fu cantaram sucessos da carreira e músicas do CD mais recente, Toda Cura Para Todo Mal. Foi uma apresentação que chegou a atingir a perfeição e surpreendeu quem viu e ouviu os solos bem executados de John, a voz meiga de Fernanda Takai, o baixo, a bateria, e os efeitos. Tudo deu certo. O show no Porão do Rock foi o segundo da turnê do novo disco. Mas não faltaram grandes sucessos da carreira, entre eles, “Perdendo os Dentes”, “Gol de Quem”, “Depois” e “Made in Japan”. Momentos de pogo na platéia vieram com a canção “Capetão”, com guitarras pesadas e vocais guturais. Em um dos melhores momentos do show, o Pato Fu tocou a música “Eu”, composta pela banda gaúcha Graforréia Xilarmônica. Quase no final da apresentação, Fernanda aproveitou para agradecer a produção do Porão do Rock pelo convite e deixar seu protesto sobre a presença de poucas bandas com integrantes femininas. A reclamação ganhou o apoio da platéia que aplaudiu Takai. O show foi encerrado com a música “Tempo”, às 20h50. O Pato Fu se despediu do público e deixou a promessa de voltar a Brasília para apresentar o show completo do novo álbum. Realizando um antigo sonho da Banda, o Som da Lua mostrou que é realmente pioneira em festivais, apesar de nunca ter tocado no Porão, tocou em vários outros festivais, como o Skol rock e o FestValda, a primeira música de trabalho da banda é “Só uma canção”, que em breve fará parte da programação da rádio Porão do Rock. Segundo o vocalista, Liô Mariz, a presença no festival é a realização de um sonho que durou três anos. “Sempre que encontrávamos bandas que já haviam tocado no Porão, como Leela e Matanza, éramos super incentivados a tentar mostrar nosso trabalho aqui”, lembra Liô. Los Hermanos teve um show razoável, desculpe-me os fãs, mas Los Hermanos quis um palco escuro para não saírem bem nas fotos, medíocre não? A inevitável questão sobre o boicote voluntário à Anna Júlia não podia estar de fora. A resposta foi direto. “Não vemos problema que a canção tenha sido regravada exaustivamente. Estamos aqui para isso”, disse, em alusão à execução de Anna Júlia pelo ícone do forró atual, Frank Aguiar . A banda Cascadua no Porão do Rock, o grupo teve a difícil missão de tocar depois dos Los Hermanos e não decepcionou. O som da banda, influenciado por rock setentista (country e southern rock), além dos anos 80, agradou. Até mesmo aqueles que não sabiam as letras, acompanharam dançando e aplaudindo as músicas. O blues e o rock se casaram no palco do Porão do Rock. Foi a apresentação do guitarrista brasiliense Dillo D’Araújo e a banda CrocoDilloGang. As letras são em inglês mas o ritmo universal levado por Dillo incendiou o público que o prestigiou no palco Brazza. Vocês viram as Dildetes? Causou suspiros entre a galera, as meninas distribuíram panfletos para divulgar o show dele. E claro, Dillo não decepcionou. Fizeram parte do repertório do show “On my Own”, ”Breakin’Up”, Blind Faith”, “Evil”, “Down Again” e “Glory and Consequence”. Celso Salim, outro guitarrista de Brasília consagrado foi o convidado especial da apresentação de D’Araújo & CrocoDilloGang. Juntos levaram “Higher”, música que fecha o álbum de estréia intitulado CrocoDilloGang,. Chegou a hora, Barão Vermelho incendiando o Porão do Rock, quer melhor coisa que represente o rock no Brasil que Barão Vermelho? o Barão Vermelho começou sua apresentação com “Maior Abandonado”. O repertório trouxe grandes sucessos da banda, além de músicas do novo CD, laçando no ano passado e intitulado apenas “Barão Vermelho”. Estreante no festival, a banda foi unanimidade. A aglomeração bastou para que ninguém pudesse reclamar do frio. Não precisou de muito papo para que o clima se alterasse. Frejat, Peninha (percussão), Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra) e Rodrigo Santos (baixo) mostraram entusiasmo de banda iniciante e não deixaram a animação ir embora. O show deve ficar na memória de muitos que esperaram até a madrugada desta segunda-feira. Dificilmente haverá arrependimentos. Móveis Coloniais de Acaju, a banda mais pedida do festival, o publico aclamava a banda, gritando várias vezes: Móveis, Móveis... O carisma dos integrantes do Móveis Coloniais de Acaju é comprovado com a reação do público que cantava em coro as suas músicas. Mas também não poderia ser diferente já que o Móveis foi a banda brasiliense mais votada pelo público na seletiva do Porão do Rock. Fizeram parte do set list do show “Seria o Rolex?”, “Swing 1”, “Menina Moça”, “Perca Peso”, “Do mesmo ar”, “Copacabana” e a versão “moveliana” para a singela “Se essa Rua”. Sim, aquela mesma: “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar...”, resumindo, o show foi divino. Fechando a oitava edição do Porão, o Papito entrou no palco cantando “Menina Mulher”, Supla fez um show de desabafo, esquecendo do episódio da pedrada em seu baterista na edição passada, antes de Já Não Te Quero Mais, música do novo CD, uma pausa para discutir relações. “Quem aqui já tomou um fora? O que é mais fácil, tomar ou levar um fora?”, questionou. Supla tratou de explicar a inspiração para a música: “Conheci uma menina de RJ que não se conformou com um fora. Nessas horas, é melhor ser honesto”, disse. O tom de brincadeira permaneceu durante toda a aparição do controverso show man. Uma breve pausa para questionar a política nacional pode ter passado em branco pela maioria. “Temos que pensar no que está acontecendo com a nossa Câmara Federal”, sugeriu. Sem muita adesão, só restava ao Papito voltar à performance habitual. Supla colaborou para o deleite dos mais cultos e mandou ver em covers inusitados de John Lennon. God e Imagine ganharam arranjos acelerados, que lembravam influências do legítimo punk inglês. Abusado, Papito ainda arriscou clássicos dos Ramones, com Pet Cemetary, e Led Zeppelin, em Rock and Roll.
No seu balanço final, o Porão em 2005 está de parabéns, grandes bandas, grande mega espaço e organização. Mais uma vez, parabéns a Ong Porão do Rock.