Mais
um ano de Porão do Rock, mais um ano provando que Brasília
ainda é palco de grandes bandas independentes. Este ano,
foi marcado pela grandiosidade do evento, com várias atrações
e com uma diversividade de estilos. Diferente também na tenda
tecnho, alias, no primeiro dia não teve tenda tecnho, foi
criado a tenda do Rock, onde foram chamados vários Dj de
rock alternativo para compor essa novidade. Dj's Zeca
e Ed (aqui do Site Festas em Brasília), Montana,
JVC, Balé (Escola de Escândalos), André X (Plebe
Rude), Chico Bóia (Transamérica), Sabri e Leandro
do Rumbora.
Na
Sexta-feira, dia 08/07,
foi uma noite dedicada ao Rock'n'roll, guitarras alucinavam o público,
O heavy metal da banda Dynahead se encarregou de começar
a por “fogo” na noite do Porão do Rock. Foi o
primeiro grupo a se apresentar. Foi também a primeira vez
que os cinco brasilienses cabeludos tocaram no Porão. Resultado:
um som pesado que animou o público ainda pequeno. Na frente
do palco, fãs fiéis, que gritavam e batiam cabeça
com as canções. A Dynahead apresentou músicas
próprias, cantadas em inglês. Além disso, na
metade do show, pediu licença ao público para mostrar
uma releitura. “Escolhemos a coisa mais universal possível”,
disse o vocalista Caio Duarte. As meninas da banda Poena (DF) pegaram
pesado no primeiro dia do Porão do Rock. Mais uma vez, provaram
que hardcore/metal não é coisa só de marmanjo.
E mesmo sem fazer, de propósito, o estilo sex appeal, Carolina
Diniz (vocais), Ludmila Gaudad (vocais), Clarissa Carvalho (guitarra),
exibiram sensualidade no palco a ponto de provocar a platéia.
Ainda no começo do show, ouviram o pedido para que tirassem
a roupa. Mas o rock para o Poena é coisa séria, e
a brincadeira ficou só na reposta: “Só tiramos
se todo mundo tirar”, como sugeriu Carolina, uma das vocalistas.
Um show de humor e música. Sem dúvida, a apresentação
do Massacration será eleita a mais divertida e engraçada
do Porão do Rock. Ninguém poderá competir com
os caras do programa Hermes e Renato no quesito besteriol. A irreverência
levada ao palco fez os fãs gargalharem e pedirem bis. Música
mesmo, eles só tocaram cinco. Mas ao longo do show encenaram
para o público uma performance baseada no estereótipo
de uma “verdadeira banda de Heavy Metal”. Exageram nas
características, satirizaram a maneira de ser dos headbangers,
e mesmo assim, não conseguiram despertar rancor; muito pelo
contrário. Slug está com o terceiro álbum,
intitulado Not For Sale, “saindo do forno”. Este ano,
foi um dos vencedores do Festival Som do Cerrado, da Rádio
Transamérica FM, mostraram porquê foi a banda escolhida,
o show empolgou a galera, mostraram competência de uma grande
banda que está surgindo. Deceiveres, o que dizer de uma grande
banda que está na estrada desde 1994? A galera do Deceivers
apresentou este ano seu segundo CD, Everbreathe (53 HC), lançando
dentro do Porão do Rock, e onde a banda reforça o
conceito da fusão hardcore e metal, com alguns elementos
do hip hop. O show foi o delírio, fazendo a massa ir ao delío,
junto com seus fãs. proximidade do poder inspira o tom crítico
à política das letras da veterana banda de hardcore
de Brasília DFC. Na ativa desde 1993 a banda mostrou em seu
show que ainda tem muito a dizer, afinal de contas motivo é
o que não falta. Tanto que eles acabam de lançar o
CD “O Mal que Vem para Pior”. Além de mostrar
um pouco do novo trabalho, a banda cantou as músicas que
a consagraram na cena underground ao longo desses 12 anos de estrada,
como “Molecada 666” acompanhada em coro pelos fãs,
fechando em grande estilo a apresentação. Shaaman,
Os ex-integrantes do Angra, André Matos (voz), Luiz Mariutti
(baixo) e Ricardo Confessori (bateria) não deixaram dúvidas
sobre a importância da banda para o heavy metal brasileiro.
Ao som da música “Turn Away’, às 11h45,
no Palco Capone, o Shaaman invade o Porão do Rock. O carisma
de André Matos sacudiu a platéia que respondeu a cada
grito e chamado do vocalista. Além dele, o guitarrista Hugo
Mariutti foi destaque e dividiu com André a responsabilidade
de chamar o coro. Fechando a noite, com chave de ouro, Ratos de
Porão, o Rardcore coroava a noite, a galera do Ratos de Porão
empurrada por o João Gordo, os Ratos tocaram, dentre outras,
Morrer e Beber até Morrer, que o público cantou junto,
comprovando que as músicas antigas são as preferidas
dos fãs veteranos e dos mais jovens e dos mais velhos também.
No
dia 09/07 chegamos
um pouco atrasados, da canseira do dia anterior, mas chegamos a
tempo do grande show que a banda Valentina de Goiânia apresentou,
o quinteto empolgou o público que se aglomerou em frente
ao palco. Destaque para o vocalista Rodrigo Feoli, que estava com
o rosto fortemente maquiado e com um figurino especial – calça
preta justa, camisa escura com detalhes em verde e vermelho e chapéu
–, mostrando irreverência. A performance de Feoli agradou
a galera. Dançando de forma bem-humorada, o cantor fez o
público pular. Ponto G, irreverentes e descontraídos,
os brasilienses agradaram a platéia com seu rap´n´roll
e botaram a galera para pular durante todo o show. Ponto G ficou
muito a vontade no palco – afinal, foi um dos idealizadores
do festival -, a banda também atacou o escândalo do
mensalão ocorrido no Congresso Nacional. “Cadê
meu mensalão, cadê meu mensalão”, dizia
uma das músicas. A galera respondeu e cantou em coro o refrão,
em forma de protesto. A banda Luxúria levantou a galera neste
sábado do Porão do Rock 2005. O show da banda do interior
paulista foi marcado pela liderança performática da
vocalista Meg. A apresentação teve um contagiante
começo com a música Dura feito aço. Tatuada,
com cabelo pintado de azul, botas pretas e um curto vestido, Meg
esbanjou sensualidade e provocou a galera ao mostrar sua calcinha
vermelha. Plebe Rude parecia uma banda experimental, com sua nova
formação: Philippe Seabra (guitarras e vocais), André
X (baixo e voz), o ex-Maskavo Txotxa (bateria) e o ex-Inocentes
Clemente (guitarra). O show no Porão do Rock 2005 fez muita
gente se arrepiar. As letras dos anos 80 não perderam a validade
e continuam traduzindo a realidade do país. O show começou
com “Brasília” e o público cantou junto
com as mãos para cima. Em “Minha Renda”, apareceram
as primeiras rodas de pogo e “A Ida”, com introdução
feita por Philippe no violão, ganhou coro ritmado com palmas.
Bandeira do Movimento Sem-Terra (MST) hasteada e o F.UR.T.O sobe
ao palco Brazza do Porão do Rock, como uma das bandas headliners.
As canções “falam infelizmente de uma situação
no Brasil que não mudou”, explica o vocalista Garnizé.
Durante o show, Yuka afirma que “estou aqui em uma cadeira
de rodas, mas não perco a indignação”.
Em entrevista coletiva, Yuka vítima de um assalto que lhe
deixou paraplégico, fala por si. “Muitos policiais
já me pararam e pediram para eu sair do carro e andar. Quando
eu explico que isso não é possível, eles não
acreditam”, exemplifica. Tudo isso, segundo ele, é
discutido e combatido no Coletivo X, um grupo de artistas dispostos
a combater a criminalidade. Do show, foi um dos melhores da noite
com muito ritmo e a banda muito a vontade na noite Brasiliense.
Após o retorno do Rio Grande do Sul para divulgação
do CD lançado em 2002, “Então falou”,
a banda Sentupé
anuncia sua chegada em grande estilo com um show empolgante nesta
2ª noite de Porão do Rock para matar a saudade. O espirituoso
baixista JB deu o pontapé inicial e fez o público
aquecer o gargalo com seus riffs de guitarra e na seqüência
veio “Drops”. O retorno da platéia foi certeiro.
Da primeira a última música, as 25 mil pessoas que
compareceram no Porão pulam ao som da banda liderada por
Cássio no vocal, Vitor no baixo e Kelder na bateria. Quando
a banda toca o hit, música tema do CD “Então
falou”, o público agitou ainda mais e lá de
longe se ouvia o coral no refrão. A participação
especial do convidado Bel, ex- Câmbio Negro e ex-integrante
da banda, só veio complementar o que já estava bom.
Com público garantido, a headliner baiana Pitty não
arriscou e abriu o show com Admirável Chip Novo, principal
sucesso de seu primeiro CD, de mesmo nome. A agitação
não lembrava nem um pouco a estréia da cantora no
festival em 2003, quando era pouco conhecida por aqui. O que se
seguiu após a primeira execução foi uma série
de hits: Não deixe o tempo passar, Teto de Vidro, Equalize,
I wanna be e Semana que vem . As canções foram acompanhadas
do início ao fim por um público visivelmente juvenil.
Fechando o dia, a banda Dead Fish fez um belo show, o público,
antes apático com o frio e canções desconhecidas,
se animaram em cada nova batida e cantavam juntos com vocalista
Rodrigo. Há mais uma década no meio independente do
rock nacional, esta foi a primeira apresentação do
grupo no evento de Brasília. “Nós já
tentamos tocar aqui no porão várias vezes, mas só
agora, em uma grande gravadora, conseguimos”, admite Rodrigo.
Enfim,
o dia 10/07, o Porão
de Rock guardava tudo para o último dia, depois de várias
atrações nos outros dias, era o dia esperado do Barão
Vermelho, Pato Fu, Los Hermanos e a volta do Papito para o Porão
depois do incidente ocorrido na última edição.
Iniciando com o Hino nacional no som da Guitarra de Paulinho Góes,
o Radical sem dó realmente não teve dó nem
piedade do público, mostrou muito som, muita performance,
humor e alegria de quem faz música brincando. O público
se divertiu com as letras de Natinho, também empresário
do ramo de camisetas em Brasília distribuindo para lojas
como Kingdom Comics e Verdurão.Em “Elianny”,
o ‘trieto’ e as convidadas Clã Destinas, Fafá
e Priscila, mandam o refrão “minha dor é Doriana”
numa balada que empolgou o público já no começo
da noite. Nos intervalos, o carismático Ginão dava
seu recado num ritmo de voz impecável. Entre outras, ele
soltou “A lua está sorrindo pra gente” em agradecimento
ao público presente e ao belo pôr do sol. “Radical
sem dó no comando, porque eu não mando eu peço”,
bravou o vocalista. A banda Violins mostrou seu som com muita poesia
e muita guitarra, lembrando um pouco os anos 80, Chamados de “Radiohead
brasileiros” no primeiro CD “Aurora-Prisma” (2003),
a trupe afirma que acha natural comparações e riem
ao dizer que agora são chamados de Los Hermanos. A comparação
não foi à toa. De acordo com a própria banda,
o primeiro disco é “muito triste, estávamos
todos f”, conta o guitarrista Léo Alcânfor. Violins
é formada ainda por Diego Britto (baixo), Pedro Saddi (teclados)
e Pierre Alcânfor (bateria). nome do CD surgiu após
a composição de todas as músicas. “Percebi
que todas falavam de infidelidade e isso foi involuntário.
Infidelidade não só entre homem e mulher, mas de Deus
ou algo que se sinta”. A banda Reação e cadeia
surpreendeu, com um som muito maneiro, foram aclamado pelo públco,
as músicas foram cantadas em coro, principalmente “Quase
Amor”. A banda ainda levou “Dead and Bloated”,
do Stone Temple Pilots. Finalizando o show, mandaram ver com “Pare
de mentir pra mim”. Os mineiros da banda Pato Fu cantaram
sucessos da carreira e músicas do CD mais recente, Toda Cura
Para Todo Mal. Foi uma apresentação que chegou a atingir
a perfeição e surpreendeu quem viu e ouviu os solos
bem executados de John, a voz meiga de Fernanda Takai, o baixo,
a bateria, e os efeitos. Tudo deu certo. O show no Porão
do Rock foi o segundo da turnê do novo disco. Mas não
faltaram grandes sucessos da carreira, entre eles, “Perdendo
os Dentes”, “Gol de Quem”, “Depois”
e “Made in Japan”. Momentos de pogo na platéia
vieram com a canção “Capetão”,
com guitarras pesadas e vocais guturais. Em um dos melhores momentos
do show, o Pato Fu tocou a música “Eu”, composta
pela banda gaúcha Graforréia Xilarmônica. Quase
no final da apresentação, Fernanda aproveitou para
agradecer a produção do Porão do Rock pelo
convite e deixar seu protesto sobre a presença de poucas
bandas com integrantes femininas. A reclamação ganhou
o apoio da platéia que aplaudiu Takai. O show foi encerrado
com a música “Tempo”, às 20h50. O Pato
Fu se despediu do público e deixou a promessa de voltar a
Brasília para apresentar o show completo do novo álbum.
Realizando um antigo sonho da Banda, o Som da Lua mostrou que é
realmente pioneira em festivais, apesar de nunca ter tocado no Porão,
tocou em vários outros festivais, como o Skol rock e o FestValda,
a primeira música de trabalho da banda é “Só
uma canção”, que em breve fará parte
da programação da rádio Porão do Rock.
Segundo o vocalista, Liô Mariz, a presença no festival
é a realização de um sonho que durou três
anos. “Sempre que encontrávamos bandas que já
haviam tocado no Porão, como Leela e Matanza, éramos
super incentivados a tentar mostrar nosso trabalho aqui”,
lembra Liô. Los Hermanos teve um show razoável, desculpe-me
os fãs, mas Los Hermanos quis um palco escuro para não
saírem bem nas fotos, medíocre não? A inevitável
questão sobre o boicote voluntário à Anna Júlia
não podia estar de fora. A resposta foi direto. “Não
vemos problema que a canção tenha sido regravada exaustivamente.
Estamos aqui para isso”, disse, em alusão à
execução de Anna Júlia pelo ícone do
forró atual, Frank Aguiar . A banda Cascadua no Porão
do Rock, o grupo teve a difícil missão de tocar depois
dos Los Hermanos e não decepcionou. O som da banda, influenciado
por rock setentista (country e southern rock), além dos anos
80, agradou. Até mesmo aqueles que não sabiam as letras,
acompanharam dançando e aplaudindo as músicas. O blues
e o rock se casaram no palco do Porão do Rock. Foi a apresentação
do guitarrista brasiliense Dillo D’Araújo e a banda
CrocoDilloGang. As letras são em inglês mas o ritmo
universal levado por Dillo incendiou o público que o prestigiou
no palco Brazza. Vocês viram as Dildetes? Causou suspiros
entre a galera, as meninas distribuíram panfletos para divulgar
o show dele. E claro, Dillo não decepcionou. Fizeram parte
do repertório do show “On my Own”, ”Breakin’Up”,
Blind Faith”, “Evil”, “Down Again”
e “Glory and Consequence”. Celso Salim, outro guitarrista
de Brasília consagrado foi o convidado especial da apresentação
de D’Araújo & CrocoDilloGang. Juntos levaram “Higher”,
música que fecha o álbum de estréia intitulado
CrocoDilloGang,. Chegou a hora, Barão Vermelho incendiando
o Porão do Rock, quer melhor coisa que represente o rock
no Brasil que Barão Vermelho? o Barão Vermelho começou
sua apresentação com “Maior Abandonado”.
O repertório trouxe grandes sucessos da banda, além
de músicas do novo CD, laçando no ano passado e intitulado
apenas “Barão Vermelho”. Estreante no festival,
a banda foi unanimidade. A aglomeração bastou para
que ninguém pudesse reclamar do frio. Não precisou
de muito papo para que o clima se alterasse. Frejat, Peninha (percussão),
Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra) e Rodrigo
Santos (baixo) mostraram entusiasmo de banda iniciante e não
deixaram a animação ir embora. O show deve ficar na
memória de muitos que esperaram até a madrugada desta
segunda-feira. Dificilmente haverá arrependimentos. Móveis
Coloniais de Acaju, a banda mais pedida do festival, o publico aclamava
a banda, gritando várias vezes: Móveis, Móveis...
O carisma dos integrantes do Móveis Coloniais de Acaju é
comprovado com a reação do público que cantava
em coro as suas músicas. Mas também não poderia
ser diferente já que o Móveis foi a banda brasiliense
mais votada pelo público na seletiva do Porão do Rock.
Fizeram parte do set list do show “Seria o Rolex?”,
“Swing 1”, “Menina Moça”, “Perca
Peso”, “Do mesmo ar”, “Copacabana”
e a versão “moveliana” para a singela “Se
essa Rua”. Sim, aquela mesma: “Se essa rua, se essa
rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar...”, resumindo,
o show foi divino. Fechando a oitava edição do Porão,
o Papito entrou no palco cantando “Menina Mulher”, Supla
fez um show de desabafo, esquecendo do episódio da pedrada
em seu baterista na edição passada, antes de Já
Não Te Quero Mais, música do novo CD, uma pausa para
discutir relações. “Quem aqui já tomou
um fora? O que é mais fácil, tomar ou levar um fora?”,
questionou. Supla tratou de explicar a inspiração
para a música: “Conheci uma menina de RJ que não
se conformou com um fora. Nessas horas, é melhor ser honesto”,
disse. O tom de brincadeira permaneceu durante toda a aparição
do controverso show man. Uma breve pausa para questionar a política
nacional pode ter passado em branco pela maioria. “Temos que
pensar no que está acontecendo com a nossa Câmara Federal”,
sugeriu. Sem muita adesão, só restava ao Papito voltar
à performance habitual. Supla colaborou para o deleite dos
mais cultos e mandou ver em covers inusitados de John Lennon. God
e Imagine ganharam arranjos acelerados, que lembravam influências
do legítimo punk inglês. Abusado, Papito ainda arriscou
clássicos dos Ramones, com Pet Cemetary, e Led Zeppelin,
em Rock and Roll.
No seu balanço final, o Porão em 2005 está
de parabéns, grandes bandas, grande mega espaço e
organização. Mais uma vez, parabéns a Ong Porão
do Rock.
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